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Contribuir é uma arte

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Lou H. Mello

Em um de seus livros, Ruben Alves conta sobre sua luta, durante muito tempo, buscando aprender a tocar piano até, enfim, descobrir a verdade: “estava tentando colocar o piano dentro de mim”. Essa revelação tornou-se ainda mais relevante, para mim, por eu ter feito a mesma descoberta, ou seja, também fiz essa tentativa impossível.

O verdadeiro artista, com dom, talento e consciência de sua arte é um mestre. Seu talento está dentro de si e seu aprendizado consiste em aprender e/ou conseguir colocá-lo para fora.  

A Bíblia relata uma história sobre dois filhos de Adão. Depois de colher suas safras, os dois apresentaram-se diante de Deus com suas contribuições respectivas. Segundo o relato, Deus agradou-se da contribuição de Abel, mas rejeitou a contribuição de Caim. Imagine dois músicos apresentando-se a uma plateia. Um o faz com arte e outro apenas por dever. Qual dos dois agradará ao público? Qualquer pessoa pode tocar um instrumento musical, nem todos poderão fazê-lo com arte e maestria.

Na verdade, todos podem fazer tudo, alguns farão algumas coisas com arte, com talento, carisma e como verdadeiros mestres, outros não.

Você leva seu carro ao mecânico. Talvez, seu mecânico seja mais do que um hábil conhecedor do seu auto. Talvez ela seja um mestre e lhe surpreenda indo muito além do esperado ao deixar a arte brotar do seu interior. No meu tempo de menino, conheci muitos mestres: sapateiros, pedreiros, eletricistas, esportistas, encanadores, agricultores, padeiros, mecânicos, costureiras, alfaiates, pintores, letristas, bombeiros, policiais, médicos, professores, etc…, todos capazes de realizar suas tarefas com arte. Havia muitos outros profissionais, alguns muito bons, entretanto faltava-lhes algo: não eram mestres. Não havia arte neles.

Um velho mestre disse: “Um mestre é sempre um mestre, não importa qual seja a sua arte”. É mais fácil perceber um mestre quando sua arte é a música, a pintura, a literatura e a escultura. Mas há muitos mestres anônimos por aí, exercendo sua arte nos mais variados campos como o esporte, o lazer, as profissões liberais, enfim em qualquer área. A identificação está na liberação procedente do nosso interior e é colocada para fora de forma espontaneamente.

Amar é uma arte, como nos ensina Erich Fromm em seu maravilhoso livro “A Arte de Amar”.  Ensinar é uma arte diz Ruben Alves. Tudo pode ser feito com arte que vem de dentro, do íntimo e das nossas entranhas.

Contribuir é uma arte, quando é realização da alma e começa em nosso interior. Geralmente é sacrificlal, como a contribuição narrada  por Jesus da mulher capaz de dar tudo que possuía ao doar sua única moeda. Quando um homem perguntou a Jesus o que era necessário fazer para segui-lo ouviu, finalmente: “Vá e dê tudo aos pobres”. Em outras palavras, contribua como um mestre, pois contribuir é uma arte. Um mestre na arte de doar obedece a seu impulso e doa sem preocupar-se com o futuro.

Todos podem dominar a arte de contribuir. Será melhor não fazê-lo, se não puder fazer de todo coração. O prazer da verdadeira contribuição só é comparável ao do pintor quando vê sua obra acabada e aclamada, ou do músico ao ouvir os aplausos de aceitação de sua arte, ou do escritor quando sua obra não para nas prateleiras das livrarias. É o momento do êxtase e  da liberdade.

Contribuir é uma arte e um ato de libertação.   

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