Captadores e Doadores

Captadores de Recursos
Captadores de Recursos

Dentre vários exemplos bíblicos, destacaria a história de Caim e Abel em Gênesis e do casal fulminado em Atos dos Apóstolos como melhores quando o assunto é a contribuição. Neles, fica claro o sentimento de Deus quando o doador encara a tarefa com desdém e menosprezo. Claro que chamar imposto de contribuição é uma baita sacanagem, imposto é obrigatório, compulsório e se não pagar o governo pode até usar as forças armadas para cobrar, caso a policia e a justiça não sejam capazes de fazer o “contribuinte” pagar. Para Deus, o contribuinte pode, inclusive, não contribuir. Só não pode trapacear ou fazer com intenção falsa no coração.

Do outro lado, estão os receptores das contribuições. Fala-se muito em pastores malandrinhos que aparelham as contribuições transformando-as em receita para benefício próprio. Entretanto, eles não são os únicos, a história da igreja católica está completamente manchada por milhares de casos de práticas nada aconselháveis, tanto na angariação, quanto no uso do dinheiro arrecadado por parte dos sacerdotes, bispos, cardeais e papas. Ainda há as organizações sem vínculos religiosos, que muitas vezes servem a seus dirigentes como meros instrumentos de extorsão em benefício próprio. Pessoalmente, creio que Deus abomina todos esses contribuintes e captadores de recursos nada recomendáveis e tem um lugarzinho quentinho reservado para todos eles no porvir e mais algumas espetadas tridênticas já.

Causa-me estranheza que nosso livro sagrado, a Bíblia, não contenha maiores exemplos e sanções para esses picaretas captadores de recursos do mal. Talvez seja por isso que eles o fazem sem temor ou não haja no livro maiores represálias por terem legislado em causa própria, nos concílios da vida.

A partir de amanhã volto à rotina normal de cristão maltrapilho, sem emprego fixo, depois de nove semanas e meia de traição à ética grutense. O Brabo já estava pronto para dizer que me tornara um deles. Mas ainda não foi dessa vez e mesmo tendo me aproximado perigosamente de autores, editores e editoras na última sexta-feira, consegui sair ileso sem apostatar. Acho que o Brabo também escapou, mas tem andado em más companhias.

A grande verdade é: não me ajusto ao trabalho indoor. Meu negócio é trabalhar (o que em última análise é uma forma clara de evidenciar nossa condição de escravos do pecado, qualquer dúvida consulte a bíblia e a condenação do homem após pecar e sem a graça redentora) sem hierarquias, horários e a norma. Tem coisa mais chata do que uma norma ou a lei? A única norma que aprecio é a culta. Ela é um grande barato, sou o maior fã dela. Detesto gente falando errado e a mim mesmo quando o faço. Nem adianta vir com aquela lenga lenga sobre isso ser uma forma de opressão dos pobres pelos ricos. Mais pobre que eu só os habitantes do purgatório. Pior é trabalhar arrecadando para causas inacreditáveis.

Volto ao meu velho e esquecido Projeto Coração Valente em favor dos cardiopatas congênitos. Talvez algum outro mais bíblico e ético. Neles posso ser boi puxando o arado e, claro, no máximo, colher umas espigas caídas ao longo da aragem para levar para casa. Enriquecer às custas de dinheiro doado para outros fins deve ser o tal pecado sem perdão não incluso no cânone sagrado e quem o pratica irá direto para o inferno, sem escalas, segundo minha própria interpretação.

Eu mesmo, tenho entregado gente assim à justiça de Deus, pois a justiça humana seria pouco para os tais.

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LHM

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