Desenvolvimento e Penicilina

Há muito tempo (lá pelos idos de 1980), o Dr. Dale Kietzman me envolveu em Desenvolvimento (Algo mais completo que, simplesmente, Captação de Recursos). Na época, a organização em que estávamos trabalhandonão tinha nenhum especialista na área. Dr. Dale me escolheu, por critérios não conhecidos, talvez pelo meu jeitão, sei lá. O fato é que ele considerava o desenvolvimento como a coisa mais importante a fazer.

Me deu um treinamento rigoroso, de forma nada usual. Matéria para ler e estudar, por um ano, pelo menos, mas com prazo de entrega para dois meses, quando tive que fazer uma palestra para todo o pessoal da organização, sobre Desenvolvimento e na presença dele.

Parece que fui aprovado. Depois da experiência, ele deu-me um cronograma com todas as coisas a fazer e os prazos. Elas eram o caminho para a implementação dos pressupostos do Desenvolvimento. Passei maus bocados. Não consegui cumprir a maior parte dos itens do Dr. Dale. Ele voltou (mora nos EUA) e a primeira coisa que fez foi ouvir meu relatório sobre o cumprimento das tarefas solicitadas. Em poucas palavras, expus minha miserável experiência.

Então, ele contou-me a experiência de Alexander Fleming que descobriu e comunicou à comunidade científica o descobrimento da penicilina em 1929, mas só foi obter reconhecimento durante a Segunda Grande Guerra e um Prêmio Nobel em 1945. A lição é que precisamos preparar o nosso público para as nossas descobertas ou novas ferramentas, ou melhor, o público precisa sentir a necessidade capaz de abrir-lhe os ouvidos.

Até hoje detenho conhecimentos ensinados pelo Dr. Dale Kietzman e o CRM (Christian Resource Management) que permanecem desconhecidos da comunidade. Basta verificar que os “captadores” continuam indo direto ao bolso dos possíveis contribuintes, um sintoma evidente de falta de preparo adequado para a tarefa.

Cansei de tentar convencer os envolvidos. Falei tantas vezes que começaram a dizer que minhas idéias eram ultrapassadas. Só que elas nunca foram praticadas pela maioria. As organizações que as usam, até hoje, são raros exemplos de trabalho bem sucedido na área do Desenvolvimento.

Assim, continuarei a esperar pelo momento certo para compartilhar minhas descobertas.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *