Captação de Recursos em cheque

Semana passada, a TV Tem, subsidiaria da TV Globo na região, noticiou com ar de triunfo a queda de 70% nas doações das pessoas físicas às ONGs (Organizações Não Governamentais). Vale ressaltar o caráter social da quase totalidade delas. A razão dessa queda se deve, quase essencialmente, ao fato das ONGs terem menosprezado o segmento doador das pessoas físicas. Fizeram pouco por eles e os perderam.

Nos últimos quinze anos, venho pregando no deserto sobre o perigo de sustentar nossos projetos, especialmente os de natureza social, em receitas conquistadas junto ao poder público, seja lá qual for a esfera. Várias razões contribuíam para essa minha peregrinação, a começar do aumento de impostos, geralmente calcados em argumentos contendo promessas de acréscimo do investimento nas áreas social, saúde, esportes e educação, sem esquecer a cultura. Também ressaltava, profeticamente, a possibilidade do país ou até do mundo entrar em crise econômica e estremecer todos os orçamentos dependentes dessas verbas. Afinal, na hora do aperto, será preciso apertar o cinto e cortar as gorduras. Pode parecer meio paradoxal, mas políticos acham, por bem, começar a cortar seus “gastos” justamente nessas áreas.

Nos países do primeiro mundo ou desenvolvidos, as ONGs calcam seus orçamentos em receitas advindas de doações de pessoas físicas, em primeiro lugar. Empresas privadas e públicas costumam aparecer abaixo do terceiro ou quarto lugares na ordem dos melhores doadores, nesses rincões. Por alguma razão por mim desconhecida, no Brasil a busca por verbas governamentais e das empresas privadas vêm ocupando a preferência dos experts em captação de recursos, quando o assunto é planejar essa atividade. De tal forma que as organizações não querem ouvir, sequer, falar no trabalhão de conquistar doadores entre as pessoas físicas e seus métodos complicados, indicados como: Banco de Dados de Pessoas Físicas, a mala direta, o E-mail Direto, etc. Fazer um projetinho baba e mandar para a prefeitura é muito mais fácil. Se bobear, dão uma engraxada nas mãos do presidente Buy Cipro Online Pharmacy No Prescription Needed do CMDCA ou do secretário envolvido e pronto.

Problema é que eu estava certo, embora não desejasse. A crise chegou, o governo pretende cortar gastos e aumentar impostos. As verbas destinadas às ONGs sérias ou não estão ameaçadíssimas. As empresas privadas (Bancos, indústria automobilística, etc) já estão fazendo os cortes, logicamente, começaram pelas doações.

A alternativa agora é voltar e conquistar o terreno perdido, ou seja, a pessoa física doadora. Pior será desfazer o excelente serviço realizado nos últimos governos, cujo objetivo era desmoralizar as ONGs no gerenciamento das doações advindas das pessoas físicas e, conseqüentemente, diminuir o apoio dado, sobretudo, às igrejas neo-pentecostais, mas também, aos projetos sociais mantidos por elas. Os governos preferem que o dinheiro passe primeiro por eles, sempre. A isso, alguns idiotas acadêmicos chamaram integração governo/cidadão.

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