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Fogo no Museu no Rio

Museu Nacional e sua Sustentabilidade

Museu Nacional

Em 1994, estive em Lisboa – Portugal, a trabalho. Entretanto, pude fazer algumas escaramuças turísticas. Entre elas, visitei o Castelo Real, residência da família Real de Portugal. Coincidentemente, eles foram os ascendentes da nossa família real. D. João VI e D. Pedro I nasceram lá. Mas não havia ninguém da família morando lá, apenas umas famílias de gansos, marrecos e patos. O local estava em completo abandono.

LHM no Castelo da Família Real

Entre outros abandonos, esse canhão no qual me apoiei um pouco, um tanto acima do peso, talvez tenha sido usado contra as forças de Napoleon Bonapart e/ou contra os avanços dos mouros, por ocasião da invasão da Europa, diluída sob o comando de D. Afonso Henriques (Entendam o meu nome). Pelo estado da peça, há muito tempo não havia manutenção por lá.

No caso do Museu Nacional, havia uma sobrelotação de projetos científicos, com a deixa de muitas peças de valor histórico, cujo fim era a pesquisa antropológica. Outra vez a antropologia engolindo a história, se não me engano.

Nada contra, aliás, na minha opinião, deveriam construir um anexo ao lado (qualquer um deles, provavelmente à esquerda para os antropólogos da UERJ, pois assim preferem) do Palácio.

Dessa forma, o Museu Nacional abrigaria todo o acervo ligado à história da família real brasileira, desde a chegada de D. João VI até a misera ideia do Marechal Deodoro da Fonseca proclamando a república, de onde nasceu a fuzarca na qual nos encontramos. Bom, mas esse não é meu tema aqui.

Acho muito engraçado, às vezes choro de tanto rir, com as soluções dadas por meus conterrâneos para certos problemas.

Quando se trata de dinheiro, a primeira coisa a surgir nas mentes brilhantes é o governo, como se isso fosse a ama negra de leite de todos nós. Enfim, o Museu Nacional com toda sua pompa, trazendo consigo o fato de ter abrigado a Família Real brasileira, em especial nossos imperadores, os únicos capazes de colocar nosso país entre os três maiores e mais promissores países do nosso planeta, estava sendo mantido pela UERJ, a qual reservava ao museu e toda troupe arqueológica, com sei lá quantos projetos, todos caríssimos, a começar pelos salários dos antropólogos, uma merreca imensa.

Afinal, a UERJ sustenta atualmente uma vasta classe de estudantes alocados através do projeto socialista de cotas para alunos especiais incapazes de conseguir suas vagas por mérito como qualquer outro. Sem falar em seus professores, todos usuários de cuecas vermelhas, mas igualmente incapazes de ser coerentes com suas opções políticas, fazendo questão de “ensinar” a custos bem robustos. Moral da história, é preciso desmembrar o Museu Nacional da UERJ e depois criar o Anexo, igualmente desmembrado, mas do Museu, cujo futuro seria voltar a abrigar a história da Família Real e os objetos afins. Se não temos a nossa monarquia para brecar a sede monetária dos poderes, pelo menos, nos deixem contemplar nossos ancestrais históricos. Quem sabe não seriamos um povo mais patriótico, né?

Agora a situação é essa:

Pegou fogo!

Ficou assim e assim está no momento!

Se esse incêndio foi criminoso, imagino ser possível existir “alguém” interessado no fim do Museu Nacional, por alguma razão nada boa. Nem um lindo hospital daria jeito nisso, acho. O Rio de Janeiro não costuma se dar bem com hospitais.

Entretanto, caso a ideia de reconstruir o Museu Nacional acabe vingando (e acho difícil acontecer, mas torcendo para dar certo) repito, seria imperativo os desmembramentos citados, antes de mais nada. Após resolver esse “probleminha”, o segundo ponto seria criar um alicerce financeiro profissional para sustentar o Museu.

Vamos dar uma olhadinha em como alguns dos mais bem administrados museus do planeta:

No caso do British Museum de Londres 50 % da grana é dotada pelo governo e os outros 50% via venda de produtos e ingressos + patrocínios e doações. Ainda não é nenhuma maravilha, mas já é metade melhor em relação às nossas manias de jogar tudo nas costas do governo. Aí os nossos governantes havidos por um tutu a mais, aproveitam para usar isso como mais uma boa razão para aumentar impostos, etc. Lá na Inglaterra, ele fazem isso, mas há tempos ninguém do governo aproveita em proveito próprio. Entretanto, a metade assumida pelo governo os obriga a aumentar impostos.

Até deixei o Louvre francês pra lá, tratando de mencionar logo os norte-americanos. Em questões de captar recursos eles são feras. Aprendi com eles e, por enquanto, não surgiu ninguém melhor. Veja bem: No caso do Metropolitan Museum a verba governamental vem da Prefeitura Municipal de Nova Yorque. O governo nacional nem sabe da existência do museu, sendo o valor dotado de 7% do total arrecadado pelo museu. Um sócio com 7% não tem quase nenhuma regalia. No máximo uma garrafa de água gelada e olhe lá.

Os ingressos entram com consideráveis 18%. Significa ser possível cobrar ingressos, especialmente dos turistas. Assim o Museu pode se dar a esse luxo. Por aqui, é muito difícil cobrar ingressos dos visitantes, a menos se puserem a bateria da Unidos de Padre Miguel, mais porta-bandeira, etc.

Então vêm as Doações privadas, item “si ne qua non” em qualquer negócio filantrópico.

Depois vem a menina dos meus olhos. Em mais de 38 anos trabalhando em ONGs brasileiras e paulistas, incluso algumas ramificadas no exterior, mas administradas por brasileiros, nunca consegui nenhuma delas a investir suas entradas, antes de pagar contas ou adquirir o necessário. Eles sempre dizem “legal” para a ideia, mas não fazem. Veja o caso do Metropolitan, eles apuram 29% do total, apenas aplicando as outras entradas. E esses caras tem a cara de pau de não me contratar, me esnobando.

Além disso, ainda vendem produtos, aquelas coisinhas muito interessantes para os turistas, em especial, os turistas brasileiros.

Para terminar, eles ainda se dão ao luxo de completar os 100% com 2% com algumas outras iniciativas.

Mais um exemplo norte-americano para sacramentar a minha crença na expertise dos gringos para captar Money e montar um museu espetacular e fazer funcionar lindos museus. Vamos ver então:

Verba de governo: 9% quase igual a do Metropolitan.

Doações privadas no mesmo nível. Reparem, o Metropolitan recebe menos da prefeitura e capta mais com doações. Já o Museu de História Natural capta menos com doações, provavelmente, porque recebem mais da prefeitura.

Outras atividades, incluindo o aluguel do espaço para cerimônias de gala, etc. 15%. Isso não seria programa para turistas e eles sacaram bem a oportunidade junto aos oriundos.

Outras 3%.

Dividendos com investimentos 16% estão aquém do Metropolitam, mas deve estar em acordo com as demais iniciativas.

Obs: Reparem, esse museu é um Museu de História Natural, sem qualquer outro projeto em conjunto. Funciona e os brasileiros visitam… lá.

Assim, só olhando para esses exemplos, poderíamos montar uma grade de elementos de captação para o Museu.

Começa com o aporte do BNDES, no valor de 21 milhões. Eles próprios informaram ser necessário R$ 700 mil por ano para manter o Museu. Meu, esse valor me deixou preocupado. Mas não vi a planilha de gastos do museu. Enfim, separando os antropólogos para um anexo, a despesa cairia bastante. Sou capaz de apostar que o anexo deve gastar bem mais. Mas o Anexo pode vir a ser um Museu de História Natural e buscar seus próprios meios de obtenção de recursos. Olhando daqui, esses 21 milhões não serão suficientes para a limpeza e reconstrução do prédio. Provavelmente o BNDEs está pensando se vai mesmo liberar essa grana.

  1. Não fossem essas fontes predatórias (tipo essa “o governo”) já deveriam estar aprontando uma campanha para a limpeza e reconstrução do prédio, dividindo o aporte do BNDEs em três parcelas de R$ 7 milhões. A primeira para iniciar as obras e as outras duas aplicadas para serem usadas na hora certa (finalizar a reforma e colocar móveis e utensílios). Já imaginando um aporte governamental de R$ 1 milhão mensal (valor a ser confirmado) correspondendo a 30% do total de receita necessária.
  2. Doações privadas (pessoas físicas, empresas e de outros países) 30%
  3. Ingressos 15 %
  4. Aplicações 20%
  5. Outras 5%

Nada mal né? Há muitas outras sugestões na área de maketing, mas isso posso indicar na hora certa.

A parada agora seria botar o Museu em pé, novamente.

Boa sorte para os envolvidos.

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