Doar, a salvação da lavoura

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Andando no Shopping Center Esplanada, (o maior da América Latina , talvez nos Estados Unidos não haja igual em tamanho e qualidade), aqui em Sorocaba, terra de povo trabalhador, pródigo e com um senso de hospitalidade para baiano* algum botar defeito, ao passar por uma livraria cujo nome não me lembro, afinal são tantas, vi um livro do Bill Clinton na vitrine, cujo título é: “Doar, como cada um de nós pode mudar o mundo” (aqui para saber mais sobre o livro).

Pensei comigo, ali parado feito bobo: Não sei o que há dentro, mas a capa já é uma mensagem revolucionária. Bom, depois que o Bill foi despedido da Casa Branca e abriu uma ONG, ele pode ter aprendido alguma coisa, além de como fazer sexo com estagiárias, sem tocar nelas. Parece que angariar pessoas para sua causa, hoje em dia, lhe dá muito mais prazer do que suas furtivas experiências com as Mônicas da entediante vida presidencial, sem falar naquelas bobagens chatíssimas como economia mundial, armas atômicas, banquetes na Casa Branca, petróleo, etc.

Não li o livro ainda. Farei isso, assim que der. Meu crédito junto às livrarias anda escasso. Adoro acompanhar a competição entre os blogueiros ricos para descobrir quem consegue ler mais livros da moda, em menos tempo. Esses caras são incríveis mesmo. Outro dia, li a lista de livros que um cara teria lido em um mês e calculei um gasto de R$ 2.000,00 com a brincadeira, por baixo. Nada como ser rico em um país onde a maioria de nós não anda muito satisfeita com o livro caixa. Sem falar nos conterrâneos abaixo da linha da miséria, esses não conseguem nem ler jornal velho, pois o peixeiro agora embrulha o peixe podre em sacola usada de supermercados.

Entretanto, Mr. Clinton, que agora é só o marido da Condoleezza branca, engraçado esses caras segregacionistas, presidente branco secretária de estado negra, presidente negro, secretária de estado branca, se o próximo presidente for um japonês a secretária de estado será uma índia, provavelmente. Mas falava do livro do Bill, e espero que ele não tenha estragado o título espetacular com trezentas páginas de bobagens, se bem que ele seja reconhecido como um senhor capaz de pensar algo mais, apesar de tudo.

Na verdade, a salvação para miséria financeira da maior parte da humanidade se resume nessa palavra: Doar. Já sei, caso alguém se disponha a comentar, mesmo sem a contrapartida em seu próprio blog (um pedágio incluso no contrato secreto da blogosfera), dirá algo em que nunca havia pensado, tal como: Não! Só Jesus salva. Apesar da novidade e consistência da frase, nem Cristo poderá ou desejará, que a fome e a miséria se evaporem sem a nossa humilde participação. Ele e o pai dele têm outra razão menos confessável, na realidade, para desejar nosso envolvimento na erradicação desses detalhes menos importantes, através desse ato singelo, a doação: eles desejam, secretamente, consertar nossa tendência para a ambição desmedida, a cobiça pelas coisas do próximo e outra mania chamada avareza. Sim, porque esses traços em nosso perfil podem nos reservar lugar compulsório no inferno, onde há fogo e ranger de dentes.

Você pode escrever um livro sobre a pobreza e depois lançá-lo em alguma igreja do momento, com um debate onde outros pastores ricos e famosos contribuam com suas opiniões sobre o tema. Aliás, segundo o meu amigo Jorge do Canto do Jô, um desses senhores teria dito: problema que dinheiro resolve não é problema. Até comentei lá que os meus problemas haviam acabado, mas os três primeiros telefonemas que recebi hoje discordam completamente dele. Fizeram questão de me lembrar que meus problemas continuam e piores do que nunca cuja única solução é a raiz de todos os males: dinheiro.

Doar é um gesto simples, mas às vezes pode doer. Jesus o via como um ato desesperado. Você tirar sua única túnica, em meio a um frio desgraçado, e dar a um maltrapilho andante que nem obrigado lhe dará, como fez o menino para quem doei o monitor velho que estava diminuindo nosso espaço aqui. Coitado estava mais dopado com cola do que podia agüentar sua vã vontade de coletar recicláveis dos nossos lixos.

Bom é isso.  Creio que as pessoas envolvidas na missão de levar os outros a contribuir sejam sobrenaturalmente levantadas por Deus. Deve ser mais fácil morrer em uma cruz qualquer do que levar um rico a dividir qualquer coisa que não sejam as migalhas que caem de sua mesa farta.

*= os baianos são reconhecidos por sua incrível hospitalidade.

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